Pesquisadores da Ufes entregam relatório sobre impactos da lama da Samarco no Rio Doce

Um relatório com os resultados das pesquisas realizadas no Rio Doce antes e depois da lama da Samarco atingir as águas do rio, em novembro de 2015, foi entregue essa semana às autoridades ambientais para embasar as ações de recuperação e monitoramento das áreas afetadas.

O professor Alex Bastos, do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), já havia feito um estudo na foz do Rio Doce em 2013, e por isso, pôde comparar a quantidade de metais depositados no fundo do mar da praia de Regência. “Essas pesquisas traçam um retrato das condições do ecossistema, o que foi mais impactado. A recuperação do Rio Doce passa por outras ações e este trabalho é mais um diagnóstico do ecossistema e serve para os gestores tomarem decisões com relação ao uso da região para diversos fins”, afirma o professor.

O relatório mostra que as pesquisas sobre a toxidade da água do mar atingida pela lama teve o enriquecimento de cinco elementos: ferro, alumínio, chumbo, cromo e manganês. A quantidade de metais depositados no fundo do mar tem o dobro de ferro, três vezes mais manganês e quatro vezes mais alumínio.

“Esses novos dados revelaram que ainda existe muito material oriundo da queda das barragens na calha do Rio Doce, o que significa que o aumento demonstrado nos dados da coleta de novembro pode continuar se repetindo a cada ano em épocas de chuva”, explica o professor.

Pesquisadores da Ufes participaram de sete expedições que foram realizadas à foz do rio desde o dia 22 de novembro de 2015, data em que a lama chegou ao litoral capixaba. Os dados apresentados nesse relatório foram coletados por seis professores do Departamento de Oceanografia, um professor do Departamento de Física e um de Geologia. “Neste relatório estão apenas os pesquisadores da Ufes, porém o estudo mais amplo teve a participação da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e  da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ)”, acrescenta professor Alex.

As pesquisas realizadas no Laboratório de Fitoplâncton (LabFito/Ufes) apontam consequências da lama nos fitoplanctons, espécie fundamental para o ambiente marinho, por ser a base da cadeia alimentar no oceano. Segundo o professor Camilo Dias Júnior, do Departamento de Oceanografia, “a lama, independentemente de sua composição química, causa maior turbidez na água e isso barra a luz, diminuindo a capacidade de fotossíntense do fitoplâncton”.

A barragem de rejeitos de mineração da Samarco, localizada no distrito de Bento Rodrigues, rompeu no dia 5 de novembro de 2015 e a lama percorreu 550 km de distância entre a cidade mineira e o litoral capixaba.

Direto da redação
Record News / Rede SIM
Com informações da Ufes

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