Educação a distância: O modelo de ensino preferido do momento

O momento de instabilidade no país, com um volume crescente de desemprego, tem motivado muita gente a voltar a estudar para ampliar conhecimentos e títulos e assim ter mais chances no mercado de trabalho. Nesse cenário, a modalidade educação a distância (EAD), por sua versatilidade, vem se expandindo, atendendo a essa nova demanda, com a oferta de cursos de qualidade, reconhecidos e com valores e condições bem mais acessíveis que os cursos presenciais.
O diretor da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) e diretor de EAD da Universidade Metodista, vê motivos diversos para essa expansão: o reconhecimento da EAD como modalidade de ensino (Decreto Nº 5622/2005) e sua regulação pelo MEC em 2006; o avanço da internet no Brasil e “uma demanda maior por ensino superior, que tem levado a uma busca de mais opções para conseguir o diploma”.
Também as empresas buscam economizar no treinamento dos funcionários, optando pelas vantagens dos cursos a distância. “Diariamente, estamos sendo contatados por profissionais da área de Recursos Humanos em busca de cursos de capacitação profissional a preços customizados, tanto de empresas nacionais como estrangeiras, principalmente em Angola, Moçambique e Portugal”, afirmou a diretora de e-Learning da ECID (Educação Continuada Internacional a Distância), Magali Fernandes.

chris_cedtec“Com a crise aumentou a procura pelos cursos a distância, por serem bem mais econômicos que os similares presenciais, e terem a mesma qualidade e a mesma aceitação do mercado”, assegura Chistiano Corrêa, diretor Comercial de e de Marketing do Grupo Cedtec. Grupo de ensino capixaba que reúne mais de 5 mil alunos em mais de uma dezena de cursos técnicos a distância, entre os quais, de Mecânica Industrial, Eletrotécnica, Segurança do Trabalho e Edificações.

O salto do EAD
Mas se a crise aqueceu a procura pelo EAD, é importante registrar que o modelo já vinha em franca expansão. O crescimento da EAD no Brasil impressiona. Nos últimos 12 anos, a oferta de cursos a distância saltou de 52 para mais de 25 mil.
A última pesquisa publicada pela Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), o Senso EAD – BR 2014/15 (que ouviu 254 instituições que trabalham com educação a distância no Brasil) revela a existência de 3,9 milhões de alunos matriculados no país.
Estudar sem precisar sair de casa, obter um diploma oficial com a mesma validade (de um de curso presencial) e com a mesma aceitação pelo mercado, são fortes atrativos da EAD. A flexibilidade de horários para estudar (o estudante se programa para o estudo dentro do seu tempo livre); economia de tempo (com deslocamentos e permanência em escolas físicas); e de dinheiro com mensalidades mais baratas nos cursos pagos (segundo especialistas, fazer um curso a distância pode custar até 1/3 do preço do mesmo curso presencial) e a participação em encontros presenciais agendados e interações em chats com colegas de curso em uma dimensão sem fronteiras, são outros fatores que motivam os estudantes para essa modalidade.

Dos Correios à internet
A história da EAD no Brasil começa a ser contada com a fundação do Instituto Monitor, em 1939, em São Paulo. Criado pelo imigrante húngaro e técnico em eletrônica Nicolás Goldberger, o Monitor oferecia um curso de Radiotécnico, com apostila, testes de avaliação e kits enviados por correspondência, via Correios. A iniciativa possibilitava ao aluno, inclusive, a montagem de seu próprio rádio.Resultado: um sucesso.
Na mesma concepção, a partir de 1941, surgiu o Instituto Universal Brasileiro, também ofertando, via correios, vários cursos, preenchendo lacunas deixadas pela escola tradicional. Essas duas iniciativas, pioneiras e privadas, de ensino a distância, continuam vivas e operando via internet.

O que é EAD?
Na prática, EAD designa educação a distância. Uma modalidade educacional em que as atividades de ensino-aprendizagem são desenvolvidas majoritariamente (e, em bom número de casos, exclusivamente) sem que alunos e professores estejam presentes no mesmo lugar, na mesma hora.
De um modo ou outro, a EAD se caracteriza pela utilização da interface tecnológica (uso de computadores/internet, e-mails, redes sociais, etc.) sendo as aulas ministradas a distância, com ou sem tutores presenciais. Em quase a totalidade, os cursos utilizam o sistema de gerenciamento Moodle (Modular Object Oriented Distance LEarning), também chamado de Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) ou de Learning Management System (LMS).

Como é o estudo através do EAD
Os cursos online utilizam os recursos da internet. O material de estudo é disponibilizado para download. Além disso, as atividades são interativas, com conteúdo acompanhado de exercícios, animações, vídeos, games, vídeo-conferências, entre outros). Há encontros pré agendados para estudos ou provas, e também as atividades chamadas assíncronas, desenvolvidas por pequenos grupos, chats e fórum e atendimentos individual online ou presencial.
Cursos totalmente a distância – São aqueles que exigem presença apenas para fins de avaliação de aprendizagem. Número de matrículas (segundo o Senso EAD 2014/2015): 519.839. Nº de cursos: 1.840 sendo 779 de especialização; 208 MBA; 163 licenciaturas; 113 bacharelado e 155 técnicos. Há ainda outros cursos, como os de nível fundamental, médio, EJA, mestrado e até doutorado.
Semipresenciais – Também chamados de blended ou híbridos, são aqueles em que até 20% da carga horária podem ser oferecidos ou realizados a distância. Número de matrículas: 476.484. Nº de cursos: 3.453. Cursos livres – Não precisam de autorização de órgão normativo para serem oferecidos a qualquer público. Número de matrículas: 2.872.383. Nº de cursos: 19.873.

Desafios da EAD/cuidados
Mesmo com todo um cenário favorável, nem tudo são flores na EAD e ainda há muitos desafios a serem vencidos. Por exemplo, o índice de evasão é considerado alto. A média de alunos matriculados que desistem dos cursos, segundo o mesmo Censo EAD- 2014, gira em torno de 25%. Entre outras causas apontadas, a principal é a falta de tempo para estudo e participação do curso. A questão da credibilidade também deve ser apontada, sobretudo com relação à dúvida sobre a qualidade dos cursos e à aceitação do diploma no mercado.
Antes de decidir pela matrícula em um curso a distância é prudente que se tome alguns cuidados como: verificação da idoneidade da instituição, se é credenciada e se os cursos que oferece são devidamente reconhecidos pelo MEC, se a distância da casa até o polo presencial compensa deslocamentos, se o polo dispõe de equipamentos que o curso exige, como laboratórios, livros, e materiais que podem variar de curso para curso; se é preciso comprar materiais, como livros e uniformes, por exemplo, se dispõe de tutores quando esses são prometidos, entre outras precauções para que o investimento seja seguro.

Cursos no ES
Das experiências precursoras aos dias atuais, a EAD continua evoluindo e ganhando amplitude. Instituições federais como a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), ofertam cursos a distância de graduação, bacharelado e pós-graduação em diversas áreas. Além dos órgãos federais, também se renderam à EAD as instituições do SNA – Serviço Nacional de Aprendizagem, também conhecido Sistema “S” (que inclui as instituições Senai, Sesi, Senac, Sesc, Sebrae, Senat, Senar, entre outros).
Em todo o Espírito Santo, cresce o número de polos de faculdades privadas oferecendo longas listas de cursos a distância. Ao mesmo tempo, torna cada vez mais comum empresas utilizarem-se de cursos a distância para promoverem atualizações e formação aos funcionários.

Quanto custa?
Os valores de cursos superiores a distância variam de instituição para instituição. Geralmente os cursos mais baratos são aqueles com maior carga de disciplinas teóricas, como os de licenciaturas e bacharelados. Já os mais caros são aqueles que dependem de uso de equipamentos e materiais para aulas práticas. Algumas instituições praticam promoções, outras dão descontos para pagamentos à vista e conforme o número de parcelas contratado. Segundo o site www.ead.com.br, dos 33 cursos de graduação em Pedagogia ofertados em Vitória, 26 são na modalidade a distância. Entre as faculdades a distância, quase todas praticam valor de mensalidade inferior a R$ 435 por mês.
Visitando os sites das instituições que divulgam valores de mensalidades, verifica-se a diferença nos preços, podendo variar de R$ 189,00 a mais de R$ 435,00. Mas, em média, os valores para este curso giram em torno de 300 reais por mês. A Universidade Federal do Espírito Santo oferece o curso gratuitamente.
O mesmo acontece com os cursos de pos-graduação a distância. Por exemplo, um curso de Gestão Escolar, com duração de um ano, pode ser pago em 15 vezes de R$ 100,00 em um estabelecimento, e, em outro, em 18 pagamentos de R$ 237,45. Já uma pós em Nutrição pode ser paga em 17 vezes de R$ 320,00 em uma faculdade ou em 26 x de R$ 269 em outra. Os cursos de tecnólogos e técnicos, também variam de valor. Por exemplo, um curso de tecnólogo em Comércio Exterior custa, R$ 262 em 27 mensalidades. Já os cursos técnicos, dependendo da duração, custam em média de R$ 290 a R$ 330,00 por mês. Os cursos livres, de curta duração, são os mais baratos, a partir de R$ 40,00.
Programas do Governo como o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e o Programa Universidade Para Todos (ProUni) disponibilizam bolsas para cursos a distância, desde que o candidato atenda a requisitos específicos dos programas.

Cofen é contra curso de Enfermagem a distância

O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) está em campanha contra os cursos de graduação em Enfermagem e de formação te técnicos em Enfermagem na modalidade a distância. O Cofen realizou um levantamento em nível nacional junto aos polos que ofertam os cursos de Enfermagem a distância, e segundo o conselho, constatou-se condições precárias de instituições de ensino e irregularidades no cursos.
“A Enfermagem exige habilidade teórico-práticas que não podem ser desenvolvidas sem o contato direto com o ser humano”, defende o presidente do Cofen, Manoel Neri. A mobilização contra o ensino técnico e a graduação a distância de Enfermagem no Espírito Santo foi intensificada este mês de maio com mensagem em outdoors, Audiência Pública na Assembleia Legislativa, e durante os debates da Semana de Enfermagem 2016 do Conselho Regional de Enfermangem (Coren-ES).

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