Economia criativa: capixabas investem no mercado de roupas usadas e conquistam adeptos

Para muita gente brechós eram sinônimo de coisa antiga e sem estilo. Mas essa ideia ultrapassada ficou para trás. Uma pesquisa feita pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) no ano passado, mostrou que o segmento cresceu 200% nos últimos cinco anos e tem atraído cada vez mais consumidores que buscam um estilo próprio e valorizam o consumo consciente.

Hoje já são mais de 200 mil estabelecimentos do ramo espalhados por todo o país. Na Grande Vitória, os brechós podem ser encontrados nas redes sociais e através de lojas físicas. Em muitos estabelecimentos deste tipo, é possível garimpar peças seminovas e novas com preços bem abaixo dos praticados nas lojas convencionais.

A Publicitária Taiz Borges e a Engenheira Civil Letícia Borges resolveram apostar nesse mercado e tem alcançado bons resultados. Além de sócias elas são primas e há sete meses decidiram montar um bazar de roupas femininas em seminovas como uma atividade extra e uma oportunidade de negócio. “Mesmo com nossas vidas profissionais encaminhadas, tínhamos mais tempo disponível para outra atividade produtiva”, diz Taiz.

Letícia e Taiz decidiram apostar no negócio e tem alcançado bons resultados. (Foto:acervo pessoal)
Letícia e Taiz decidiram apostar no negócio e tem alcançado bons resultados. (Foto:acervo pessoal)

Elas contam que o ‘Novo de Novo Vix’ funciona no apartamento de Taiz que destinou um quarto só para expor as peças. A ideia surgiu diante da crise econômica dos últimos dois anos. “Muita gente passou a comprar menos em lojas convencionais. As vezes costumamos comprar mais do que precisamos, e o que não usamos mais pode se transformar num look totalmente novo para outra pessoa. A ideia de reaproveitarmos esse excesso sempre esteve na nossa cabeça e então resolvemos iniciar o novo negócio pensando na crise e em um novo conceito de consumo” afirma Letícia.

No bazar é possível encontrar desde roupas casuais a partir R$ 30,00 até vestidos de festa que chegam à R$ 150,00. Para divulgar as peças elas usam as redes sociais. Através do Instagram, as clientes entram em contato e marcam horário para provar e fazer a compra.
O brechó tem adeptas fieis como a especialista em Marketing Jeany Duarte diz que costuma comprar roupas, sapatos e objetos para casa em bom estado de conservação. “Aprendi a comprar em brechós porque é uma forma de praticar o reuso e de adquirir boas peças com preços mais acessíveis.”

Jeany Duarte, costuma comprar roupas, sapatos e até objetos para a casa em brechós.
Jeany Duarte, costuma comprar roupas, sapatos e até objetos para a casa em brechós.

Jeany Duarte, costuma comprar roupas, sapatos e até objetos para a casa em brechós.
A publicitária Juranda Alegro compra e vende as roupas que não usa mais em brechós. Ela conta que decidiu comprar nesses locais por uma questão de consciência e economia. “Devido à crise, o dinheiro era pouco e tive que mudar meus hábitos. Comecei a comprar no brechó e percebi que era possível adquirir até novas. A partir dessa nova forma de consumo, entendi que era possível construir um guarda-roupa com meu estilo gastando pouco.”

Juranda Alegro viu nos brechós uma nova forma de consumo e uma oportunidade de economizar. (Foto: acervo pessoal
Juranda Alegro viu nos brechós uma nova forma de consumo e uma oportunidade de economizar. (Foto: acervo pessoal

Loja física e virtual

Na Mata da Praia a jovem de 26 anos Julia Bottechia decidiu investir em um brechó e Outlet, que além de vender roupas usadas, também comercializa peças através de um modelo inovador – A loja compartilhada-. Nela, marcas capixabas que prezam pela valorização de mão de obra local e pelo trabalho artesanal, expõem suas marcas e dividem o lucro com o Desapegue.
A marca capixaba Manolita por exemplo, mantém um acervo permanente de sapatos e bolsas que sempre são renovados. A empresária conta que durante o tempo que viveu na Alemanha, onde estudou, teve a ideia do negócio.

Julia Bottecchia organizava brechós em casa até que decidiu montar a loja física e um site para vendas online. (Foto:Thiago Bruno)
Julia Bottecchia organizava brechós em casa até que decidiu montar a loja física e um site para vendas online. (Foto:Thiago Bruno)

Quando voltou para o Brasil, trabalhou como internacionalista e em paralelo começou a organizar brechós em casa, nos finais de semana. No início do ano passado decidiu montar a loja física e o site para vendas online. Júlia explica que a maioria dos clientes procuram o local pelo preço mais baixo e não porque prezam pelo modelo de consumo. “Além das vendas, fazemos um trabalho de conscientização das pessoas sobre o que é um brechó e toda a cadeia que ele envolve,” explica. E ela revela que vai investir em uma novidade: É o Desateca. Nele as pessoas poderão alugar roupas casuais pelo site e retirar na loja.

Bazares segmentados

Nas redes sociais é possível encontrar bazares cada vez mais segmentados em grupos de vendas. Os produtos oferecidos vão desde objetos de decoração de casa à enxoval de bebê. O economista Tássio Casanova explica que a situação econômica do país influenciou no crescimento do mercado de usados e muita gente tem se especializado para atingir cada vez mais clientes e faturar mais.

Serviço:

Desapegue
R. Eugênio Netto, 179 – Praia do Canto, Vitória – ES, 29055-275
Telefone: (27) 99811-1215
www.desapegue.cc
Instagram: @desapegue.cc
Novo de Novo Vix
Instagram: @novodenovovix

 

Direto da redação
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