Agricultores de Pedro Canário investem na produção de milho crioulo e já alcançam bons resultados

Produtores rurais de Pedro Canário, na região Norte do Estado tem investido no cultivo do Milho Crioulo. As sementes crioulas, ou tradicionais, representam a base da agroecologia na região.

A possibilidade de introduzir do Milho Crioulo no município surgiu a partir de uma parceria entre o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e os agricultores familiares ligados ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).

A parceria começou durante o I Encontro Capixaba de Avicultura Caipira, realizado no ano de 2014, no município de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado. Desde então, os técnicos do escritório local do Incaper, os extensionistas Claudio Rodex Junior e Thiago Carvalho Nogueira inseriram nos planejamentos a criação do banco de sementes de variedades crioulas.

O objetivo segundo os técnicos é aumentar a disponibilidade de variedades crioulas em Pedro Canário, fornecer aos agricultores familiares a oportunidade de obtenção de tal material genético, principalmente para alimentação de galinhas caipiras, reduzindo custos com alimentação das aves, em virtude do alto preço do milho híbrido. “Atualmente temos apenas a variedade Fortaleza, mas estamos prestes a conseguir mais variedades crioulas, aumentando assim o banco de sementes no município. Nós acompanhamos, na medida do possível, os plantios realizados com suas respectivas colheitas, e temos orientado os novos plantios através da assistência técnica no campo”, explicou o técnico do Incaper Thiago Carvalho.

O Milho Crioulo é todo o tipo de milho que não foi apropriado pela indústria, ou ainda variedades tradicionais que passam de geração em geração pelas mãos dos agricultores. Ou seja, as sementes se adaptam ao seu local de desenvolvimento, além de ter menor custo para o seu desenvolvimento, o que deixa o agricultor familiar autônomo de sua produção.

Ele se destaca especialmente por suas características nutricionais; é menos produtivo, porém com potencial de tolerância a pragas, doenças e fatores abióticos, ou seja, ele rústico; possui baixo custo de aquisição de semente por parte dos agricultores podendo inclusive, ser trocada por eles; é apropriado para agricultores com uso de baixo nível tecnológico.

Além de alimentar os animais, com esse milho também é possível fazer várias receitas tradicionais da nossa culinária como a pamonha, mingau de milho, bolo, pães, cuscuz, a tradicional polenta, e entre outras e assim existe uma preocupação em resgatar receitas populares que são muito nutritivas.

Desde o início do projeto, dez agricultores familiares (incluindo produtores de fora do município, de regiões próximas) já receberam as sementes, sendo que quatro deles as multiplicaram e já devolveram as mesmas quantidades recebidas ao ELDR, e os outros seis ainda estão cultivando o milho em suas propriedades.

 

“Apesar de existirem muitas variedades de milho crioulo espalhadas pelo mundo, esse milho se destaca pela sua palatabilidade, ou seja, os grãos do milho crioulo são mais apreciados pelas criações como a galinha, peru e o porco caipiras, por exemplo. Além disso, os agricultores estão cada vez mais preocupados com uma alimentação mais saudável, preferindo produzir e consumir produtos livres de contaminantes químicos. Nesse sentido, o nosso objetivo é que os agricultores sejam multiplicadores de um alimento totalmente sustentável”, disse Claudio Rodex Junior.